Chamem do que quiser "brainstorm"; "ócio criativo"; "bloqueio de criatividade", mas bem sabemos que quando nos deparamos com um trabalho árduo e complicado a escolha é unânime: adiá-lo! Às vezes, a dificuldade nem é o fator desencadeante da procrastinação, ao contrário, pode ser o excesso de facilidade e confiança que depositamos na nossa capacidade, que nos torna adeptos dessa prática milenar. Deus criou o mundo em seis dias e, no sétimo, Ele descansou. Se fosse criado por um reles mortal, a criação demoraria pelo menos sete dias para ser sancionada no Congresso. Exemplos de procrastinação chovem aos cântaros - estádios de futebol, hospitais, estações de trem - sim, na minha cidade uma estação está em "reforma" há pelo menos 1 ano e, pouco que se notou de diferença, exceto pela escada improvisada que deu lugar à escada rolante e pelo contingente que se aglomera para subir e descer os incômodos degraus.
Procrastinar uma atitude não é de todo mal, uma vez que nos faz refletir sobre o que nos move a tomá-la. Entretanto, sejamos francos, poucas pessoas procrastinam ações para pensar acerca delas. O que a maioria, inclusive o que vos fala, faz é deixar o problema no cantinho da sala da zona de conforto, com a esperança de que algo ou alguém irá empurrá-lo embaixo do tapete. Temos que ter em mente, é claro, que nem todo problema tem solução instântanea e nem todos somos capazes de tomar decisões rapidamente. Além do mais, procrastinar não é tarefa fácil como se imagina; atrelada à escolha de adiar uma atividade, vem a angústia! Sim, a mesma que nos impede de dormir e que nos faz martelar a mesma coisa até tomarmos uma providência. Não seria mais fácil fazer algo imediatamente? Nem sempre, penso que a ocasião faz o ladrão - li em uma pesquisa que tomamos melhores decisões quando estamos com a bexiga cheia. Em outras palavras, quando estamos sob pressão. Então relaxe: pense, pese e pause; e, enquanto isso, beba bastante água.



