Na seção de DVD's: - Te achei muito bonito, sabia?
- Obrigado - respondi meio encabulado. Já estávamos trocando olhares há alguns minutos até que a declaração fosse feita.
- Escuta, eu preciso ir agora. Mas você quer uma carona? Mora aqui perto?
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No carro: - Comprei esse DVD pra um amigo que é fã de Lost - disse já entrando no carro e ligando o motor.
No carro: - Comprei esse DVD pra um amigo que é fã de Lost - disse já entrando no carro e ligando o motor.
- Pode parar aqui - disse eu, alguns minutos depois. Não era muito perto de casa, mas não achei prudente parar bem em frente. Futuramente, eu receberia carona até à porta, só que naquela hora não teria como prever.
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Mais tarde, naquele mesmo dia: - Só liguei porque estava com muita ansiedade - disse a voz do outro lado da linha. Eu não conseguia acreditar naquilo. Um encontro fortuito no shopping iria marcar uma época toda da minha vida? Não? Sim? Sim!
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Quarta-feira de cinzas: - Escuta, eu preciso de um pouco de tempo pra pensar. Colocar as ideias no lugar, sabe? - disse a voz embargada na mesa do shopping. Eu sabia que o tempo era indeterminado, e que as coisas jamais seriam como antes. Mas peraê, houve tempo para o antes?
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Alguns meses depois: - Bela jaqueta - provoquei eu, numa mensagem de texto. - Ah, peguei emprestado, tava frio e eu não tinha prestado atenção no tempo. Mas por que você me viu e não foi me cumprimentar?
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Numa noite cálida:- Você sabe que isso não é certo, né? Você tá namorando! - Na hora eu hesitei, mas não havia como evitar. Foi um beijo apenas e ao parar o carro pra eu descer, já em frente de casa eu disse: - Adivinha quando é meu aniversário? Se você adivinhar da primeira vez é um sinal de que a gente ainda vai ficar juntos. - 25 de março? - meu coração palpitou.
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Na escola, pego de surpresa, num dia de semana: - Você não adivinha quem está estudando aqui?! - disse a amiga querendo causar. - É, eu já sei - respondi entediado. - Vi o nome no sistema hoje de manhã. Só espero que não caia na minha sala.
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No final do curso intensivo: - Juro que não tivemos nada. Ele está mentindo, aquele gordo filho da puta. Vou tirar essa história a limpo agora. - falou com cólera na voz dirigindo a caminho do parque. Não sabia se fora vítima de fofoca, ou se estava apenas escondendo algo.
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Em janeiro, próximo ao seu aniversário: - Ah, é claro que você vai, né? - disse com voz toda animada do outro lado da linha. Eu disse que ia pensar, então não perdeu tempo: - Vamos vai? Em nome dos velhos tempos. - acabei não indo, me faltou vontade, ou seria coragem?
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Via mensagem, no terminal- Seu namorado é de poucos amigos, né? - eu provoquei. A risada ilustrada com os kkk denotava constrangimento. Sim, eu havia feito o flagra e, não, não fora apresentado ao atual. Por um lado me sentia bem, fora sido trocado por um cara mais velho, mais feio e, aparentemente, sem grande simpatia. Por outro pensei: - Como será que eu sou visto?
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Domingo à noite: - Olá. - Sem sono? - eu respondi. Achei que tivesse acontecido algo: - Não, só queria conversar...
continua...


