Você pode dizer o que quiser: - Foi melhor assim; tava na cara que não ia dar certo; vai aparecer alguém melhor; antes só do que mal acompanhado(a), etc... Não importa a fonte do consolo: amigos, colegas de trabalho, familiares - são todos unânimes ao manifestar que o término de um relacionamento é algo positivo, quando, sabemos, não é.
O próximo passo é da sua escolha, não há cartilha a ser seguida. Há aqueles que seguem à risca as fases do luto: negação, raiva, depressão, barganha e aceitação: - Não, a gente só deu um tempo, assim que as ideias arejarem a gente volta. - Que ódio daquele(a) infeliz! - Por quê eu? O que eu fiz de errado? - E se eu chegasse de surpresa na casa dele(a) com um rolo de carta escrito mil eu te amos em 56 línguas? - Se ainda sofro por ele(a)? Jamais! Superei!
Há aqueles que não têm paciência e recorrem a um recurso infalível: o chocolate. Produto largamente utilizado para a cura, ou suavização, da famigerada TPM, também serve de poderoso aliado aos que sofrem por amor. Embora seja paliativo e a sensação de culpa, por devorar uma barra de "Kit Kat" em segundos, seja, praticamente, instantânea, o chocolate é um amigo que não te julga, e não faz questionamentos sobre suas escolhas.
Passada a confirmação do fim, vem a melhor - e mais perigosa - parte: a abstração. Cada um faz o que dá na veneta: há os que enfiam o pé na jaca, chapam o coco e caem na balada, fazendo a linha "rede de arrasto" e pegando geral, como se não houvesse amanhã, nem a ameaça da tia Sida. Há aqueles que fazem a linha psicótico-maníaco-depressivo e lançam mão do bom e velho network e resolvem dar uma chance para aquele(a) que vinha dando bola desde o natal de 97. E há sempre aquela pessoa que resolve reunir a galera e faz o peregrino no muro das lamentações - ai aguenta! Não demonstrar solidariedade pelo pé-na-bunda alheio é infração gravíssima, sem direito à condicional.
Se a relação é longa, não se iluda; há sempre contas a serem acertadas a posteriori. Tenho um amigo que é obrigado a conviver com um ex por causa de um bendito cãozinho que compraram juntos. Como o animalzinho é igualmente afeiçoado aos dois donos, ele é obrigado a aturar as visitas do ex com frequência e se desvencilhar da vontade de fazer um revival.
Caso a decisão seja tomada em comum acordo - coisa que raramente aconteceu comigo - fica aquela velha promessa de ficarem amigos. - Não, a gente sempre teve tanta afinidade, né? Não podemos deixar isso acabar - diz um ao outro. De tão encardida, essa promessa amarela como o sorriso de quem a fez. Salvo raras exceções, não conheço casal que ficou amigo após um término. Se a relação era tão saudável, por que raios se separaram, não é verdade?
Verdade seja dita, não importa se você faz o estilo recalcado(a) ou conformado(a), se você é do tipo que se arrepende de terminar minutos após a decisão, ou se sua madrinha fez macumba para o seu namoro michado acabar. Todo mundo sofre, cada um à sua maneira e a seu tempo, com o término de um namoro.
Lugares em comum, hábitos adquiridos, manias execradas de um e do outro, tudo isso faz falta e ajuda a gente a ter aquela sensação de missão cumprida. Não importa se não houve o "felizes para sempre", o que vale é ajudar a escrever um capítulo na vida do outro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário