quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ouse viver


Não assisti ao "Clube de Compras Dallas" quando saiu em cartaz. Entretanto, o texto não se trata de um comentário ridiculamente atrasado sobre o filme. 


2014 foi um ano muito difícil pra mim. Problemas de saúde, amorosos, adaptação no trabalho... Achei que seria um pouco demais acompanhar a saga de um cowboy soropositivo em busca da sobrevivência.

Aliado a esse panorama bastante animador, tinha acabado de conhecer um rapaz que, inicialmente um flerte, acabou virando um amigo; espécie de confidente. Ele é soropositivo. Vou chamá-lo aqui  de W. 

Ele, sim, estava ansioso para ver o filme. Soropositivo há bastante tempo, lida com o diagnóstico de forma invejável: não se queixa, não tem autopiedade, nem aquela "positividade" que algumas pessoas portadoras dessa doença ostentam.

Voltando ao filme, apesar do burburinho que recebeu após inúmeras indicações e prêmios, pude constatar que a obra é um simples trabalho de amor. Uma ode ao ser humano - com seus defeitos e limitações. Defeitos também presentes nos inúmeros anacronismos e erros de apuração do roteiro.

O personagem principal, defendido pelo ex-canastrão Matthew McConaughey, é um eletricista viciado em rodeios que está na vida a passeio. Sem família, ou vínculos, ele passa o dia vendo cowboys montar touros, enquanto bebe, usa cocaína e transa nos estábulos desprotegidamente.

Detalhes do enredo são desnecessários. Não cabe a mim julgar se o filme mereceu todos os prêmios, ou se faz justiça à causa. O que mais me impressionou foi outra coisa: como a doença ressignificou a vida dos personagens.

O eletricista homofóbico que se torna ativista. A médica certinha que vira transgressora e acoberta esquemas de contrabando. O transexual que abre mão de sua identidade para buscar o perdão do pai. Personagens mais ou menos desenvolvidos, cujos destinos são revelados em ordem de importância na trama. 

Infelizmente, por ordem do acaso, perdi contato com o W. Mas em nossa curta convivência sei das mudanças que esse CID acarretaram em sua vida. Quando perguntei-lhe o que o motivava diariamente ele dizia com simplicidade: "não quero que meu sobrinho ache que eu sou um perdedor..."

Você não é W, você não é....

domingo, 20 de dezembro de 2015

Abandonado por você










"Xii, não vai rolar....", diz a mensagem em tom esfarrapado de desculpa. "É que é aniversário de uma amiga muito querida e eu preciso de 3 semanas de preparação psicológica pra festa..." completa a "sonsiany" que acredita ter usado um bom argumento pra desmarcar o encontro.

Aí os exemplos só pioram: carro no mecânico, pré-estreia de Star Wars, levar a avó ao zoológico, crise de desinteria.... Não sabendo como lidar com a mentira xexelenta, o melhor a fazer é fazer a linha compreensiva: "Poxa, que chato. Mas vamos marcar outra hora, viu?!" ; mesmo que por dentro você tenha vontade de enviar um envelope com antrax pra pessoa.

Mas o que mais me abisma são aquelas pessoas que descartam todo e qualquer encontro, mas que, no final do ano, ou celebrações judaico-cristãs, fazem a linha "simpatiany" e mandam inbox, whatsapp ou telegrama dizendo: "Que saudade de você, será que você teria um espaço na agenda pra gente se encontrar?"

Porra, eu tinha verdadeiros containers na agenda, mas agora faço questão de colocar compromissos fictícios pra não ver as suas fuças velhas. É o que eu pensei, mas é lógico que respondi: "Sim, amigo. Quando é melhor pra você?"