sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A-mor(te)?

                                         



        Você pode dizer o que quiser:  - Foi melhor assim; tava na cara que não ia dar certo; vai aparecer alguém melhor; antes só do que mal acompanhado(a), etc... Não importa a fonte do consolo: amigos, colegas de trabalho, familiares - são todos unânimes ao manifestar que o término de um relacionamento é algo positivo, quando, sabemos, não é.
        O próximo passo é da sua escolha, não há cartilha a ser seguida. Há aqueles que seguem à risca as fases do luto: negação, raiva, depressão, barganha e aceitação: - Não, a gente só deu um tempo, assim que as ideias arejarem a gente volta.  - Que ódio daquele(a) infeliz! - Por quê eu? O que eu fiz de errado? - E se eu chegasse de surpresa na casa dele(a) com um rolo de carta escrito mil eu te amos em 56 línguas? - Se ainda sofro por ele(a)? Jamais! Superei!
         Há aqueles que não têm paciência e recorrem a um recurso infalível: o chocolate. Produto largamente utilizado para a cura, ou suavização, da famigerada TPM, também serve de poderoso aliado aos que sofrem por amor. Embora seja paliativo e a sensação de culpa, por devorar uma barra de "Kit Kat" em segundos, seja, praticamente, instantânea, o chocolate é um amigo que não te julga, e não faz questionamentos sobre suas escolhas.
        Passada a confirmação do fim, vem a melhor - e mais perigosa - parte: a abstração. Cada um faz o que dá na veneta: há os que enfiam o pé na jaca, chapam o coco e caem na balada, fazendo a linha "rede de arrasto" e pegando geral, como se não houvesse amanhã, nem a ameaça da tia Sida. Há aqueles que fazem a linha psicótico-maníaco-depressivo e lançam mão do bom e velho network e resolvem dar uma chance para aquele(a) que vinha dando bola desde o natal de 97. E há sempre aquela pessoa que resolve reunir a galera e faz o peregrino no muro das lamentações - ai aguenta! Não demonstrar solidariedade pelo pé-na-bunda alheio é infração gravíssima, sem direito à condicional. 
         Se a relação é longa, não se iluda; há sempre contas a serem acertadas a posteriori. Tenho um amigo que é obrigado a conviver com um ex por causa de um bendito cãozinho que compraram juntos. Como o animalzinho é igualmente afeiçoado aos dois donos, ele é obrigado a aturar as visitas do ex com frequência e se desvencilhar da vontade de fazer um revival.
         Caso a decisão seja tomada em comum acordo - coisa que raramente aconteceu comigo - fica aquela velha promessa de ficarem amigos. - Não, a gente sempre teve tanta afinidade, né? Não podemos deixar isso acabar - diz um ao outro. De tão encardida, essa promessa amarela como o sorriso de quem a fez. Salvo raras exceções, não conheço casal que ficou amigo após um término. Se a relação era tão saudável, por que raios se separaram, não é verdade?
        Verdade seja dita, não importa se você faz o estilo recalcado(a) ou conformado(a), se você é do tipo que se arrepende de terminar minutos após a decisão, ou se sua madrinha fez macumba para o seu namoro michado acabar. Todo mundo sofre, cada um à sua maneira e a seu tempo, com o término de um namoro.
       Lugares em comum, hábitos adquiridos, manias execradas de um e do outro, tudo isso faz falta e ajuda a gente a ter aquela sensação de missão cumprida. Não importa se não houve o "felizes para sempre", o que vale é ajudar a escrever um capítulo na vida do outro.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Manual do Puxa Saco Profissional Vol. 1




Sim, estou de volta! Após longuíssimas férias, ressuscito meu blog. Não agradeçam, a necessidade é toda minha! Não é por falta de assunto, viu? Problemas vários, corações estraçalhados, chegadas e partidas e mil e outros eventos que requerem atenção e geram pauta de novos textos que compartilho com vocês.
Quis falar sobre puxa saquismo. Arte milenar que consiste em assumir sua incompetência, ou inaptidão - para os ofendidos - e se aproximar do par mais favorecido a fim de se beneficiar de alguma forma.
Aqueles que acham que o puxa saco é uma pessoa completamente desprovida de ego e que bajula alguém a troco de nada, estão completamente enganados! O puxa saco nada mais é que o pior parasita já apresentado no Discovery Channel. Ele é interesseiro, preguiçoso e, só faz o que faz, por pura conveniência. Afinal, pra quê ficar ali enchendo a bola de alguém que você, provavelmente, não dá a mínima se não for ganhar absolutamente nada em troca?
Pois bem, declarado meu posicionamento, vamos a categorização e descrição da espécie:

Nome da espécie: Puxa sacus familiaris
Habitat: O aconchego do lar
Vítima: Pais

Quem nunca viu uma criança elogiando o pai, mãe ou responsável, descaradamente só para receber um presente, um agrado, ou mesmo acobertar uma falha? Por isso que digo, o mau é cultivado em casa, e a espécie ganha forças e desenvolve frutos no seio do lar. Ao menor sinal de puxa saquismo dos filhos,  pense e reflita: estou mesmo mais magro? minha comida é mesmo saborosa? estou mesmo ficando bom em videogame, ou isso não passa de um pretexto para emprestar o carro, dinheiro ou autorizar aquela viagem com os amigos?
 Identificar um puxa saco entre um dos filhos não é tarefa difícil, mas exige olho clínico e bom pesticida.

Nome da espécie: Puxa sacus escolaris
Habitat: Escola, faculdade, curso...
Vítima: Professores e colegas nerds.

Após desenvolver as mais refinadas técnicas e testá-las com os pais, é a vez do puxa saco aprendiz adentrar o âmbito escolar. Sim, aqui ele vai usar todo o seu conhecimento - não para passar de ano, ou se destacar entre os demais, mas para se livrar da recuperação e fazer valer a máxima do "mínimo" esforço.
Quem nunca teve aquele colega que, menos afortunado de massa encefálica, se lembrava dos amigos mais inteligentes justamente nos dias de prova? O sujeito não te convidava para as festinhas, nem ao menos te chamava para ficar perto da sua turma no intervalo, mas bastava a professora colocar a página virada na mesa que ele abria um sorriso enorme pra você. Eu mesmo fui vítima de puxa sacos desse tipo inúmeras vezes, pois sejamos francos - nós CDFs sempre tivemos problemas de baixa auto-estima, logo alguém falar que precisava desesperadamente de nós, bastava para nos tornar especiais. Nem sempre, entretanto, a vítima é o colega mais inteligente. Professores são as presas mais fáceis. Que aluno nunca elogiou um professor ou até flertou com um, achando que descolaria uma nota melhor ou maior atenção na sua correção de prova? Aquele velho xaveco "corrija com carinho", não passa de um bordão dos puxa sacus escolaris. Você, professor ou colega de classe, fuja deles enquanto puder!

Nome da espécie: Puxa sacus profissionalis
Habitat: "Firma"
Vítima: Colegas de trabalhos e chefes.

Saído do aconchego do lar e tendo estagiado nas instituições de ensino, o puxa saco só pode ter se aperfeiçoado. Aí vem o teste final, colocá-lo em um dos espaços onde eles são mais reconhecidos: o ambiente de trabalho! Palmas, palmas! se você puxa saco chegou até aqui, está prestes a colher o louro do sucesso - sucesso dos outros é claro, pois você só tem competência para se encostar no colega mais brilhante. Aqui, o "puxa" precisa se esforçar um pouco, afinal aparecer às custas dos outros não é tão fácil quanto parece. Aproveitar um gancho, saber apreciar um comentário do chefe e elogiar as tomadas de decisões dos líderes, são passos essenciais para ser bem sucedido na prática do puxa saquismo. Outro artifício que sempre funciona é o bom e brega: abrir o coração. Não há chefe, ou colega de trabalho, que não se derreta por aquele coitadinho que está com os meses de aluguel atrasados, que tem filhos problemáticos ou está com um familiar à beira da morte. Sei que muitos puxa sacos não se valem destes ingredientes propositalmente, mas venhamos e convenhamos, eles acabam sendo a cereja do bolo.

Não importa se o puxa saco, bajulador, ou "ass kisser" tenha galgado todos os degraus da hierarquia. Talvez, a prática tenha sido apenas temporária - um mau hábito como ler durante as refeições ou fumar um cigarro depois do sexo. Ser puxa saco nem sempre compensa, pois há sempre um imunizado que passará incólume ao seu veneno.